quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Loucura Sã

Loucos são vocês, que se acham fortes
Loucos são vocês, que se vendem por migalhas,
Loucos são vocês, que se curvam às escravidões da vida,
Loucos são vocês, que se apóiam nas máscaras para satisfazerem os outros,
Loucos são vocês, que se suportam por conveniência.

Tolos!
Nunca estiveram tão cativos!
Cativos de alma, de si mesmo.
Onde estão as borboletas?!
Libertem-se, o casulo se rompeu...
Alcem vôo, a flor não os esperará para sempre!

Autoria: Sueli Nascentes Coelho

IMAGEM

Na escuridão da noite observo o seu rosto.
Dorme, expressões esquecidas, indefeso animal!
Preso às angústias de um sono sem sonhos.
Indiferente ao mundo silencioso da noite.
Corpo mutilado pela alma que se liberta...
Alma que quer galopar sob o céu
E, quem sabe,
Não mais voltar!...

Autoria: Sueli Nascentes Coelho

Naturalmente rosas..

.Se a rosa lhe faltar,
Não se intimide com os espinhos.
Decerto se arranhará,
Mas irá cicatrizar.

Colha daí experiências,
Mesmo se o sangue jorrar.
Outra rosa, num momento
Em seu jardim florescerá.


Riso e lágrimas, páginas da vida.
Reticências....

Rosas e espinhos se completam,
Contrários na perfeição.
Coexistem, não lamentam
Um só coração.

Luz e sombra
Noite e dia
Vida e morte
Rosas e espinhos
Natural, natureza, EU SOU!

Autoria: Sueli Nascentes Coelho

ECOS

Amor,
O fogo se acendeu
Apaga a luz da escuridão
Que o orvalho da manhã
Se faz presente,
E o tempo não se cala
E arrasta o vento, lento, lento....

Amor,
Meus olhos mentem em te ver
Meus lábios sonham com você
E o silêncio ecoa o seu nome
Em melodia sem final
Imortal
Lento, lento...... arrasta o vento!

Sei amor,
Fiz da miragem do deserto
Um oásis blue
Sonhei sozinho os meus sonhos
Neles me perdi
E hoje estou aqui
Lento, vento, me arrasto em ti.

Autoria: Sueli Nascentes Coelho

Desumano coração humano

O canto da sereia
Ouviu-se longe, mar adentro
Como um lamento da mãe água
Pedindo abrigo ao coração humano

Pescador ouviu, jogou a rede
Súbito júbilo num rosto amargo
Antecipando o prazer do conquistador
Ante seu capturado

Perscrutando o coração do homem
Sereia, mãe água lamentou
De seu lamento verteu lágrimas
Enfurecido o mar ficou

A nau da captura enfraqueceu
Pescador em sua rede ficou
E o mar, raivoso algoz sem piedade
Desfez o júbilo em amarga dor

Água, mãe, sereia, canto
Que queres dos filhos da terra?
Segue seu curso, ondas, marés...
O humano coração, ainda não é.

Autoria: Sueli Nascentes Coelho

RENASCER

Hoje acordei e olhei o céu.
Estava lá, meio azul, meio cinza.
Mas estava lá.

Hoje acordei e olhei-me no espelho.
Eu estava lá, meio cinza, meio azul.
Mas estava lá.

Minha mente vagou...
Por pensamentos me transportei.
E me vi ancorada a um coração.
Não era o meu coração.

Era um coração vadio,
Sem eira nem beira.
Um coração que pulsava
Num peito oco, vazio.

Coração meu, solte as amarras!
Vá ancorar no azul do céu.
Cinza, não é teu lugar
O arco-íris chama por ti.

Autoria: Sueli Nascentes Coelho

HIPOCRISIA

Cansei-me das ladainhas falsas e cheias de vazio
Cabeças ocas desprovidas de dignidade e lucidez
Corações endurecidos pelas próprias mágoas
Onde nem Deus nem o diabo habitam

Hipócritas alardeando cantos de miséria
Recalcados na personalidade reprimida
Buscando em seus impulsos nocivos
Uns trocados podres de comiseração

Em suas almas famigeradas
Nuas formas desfiguradas
Fantasmas guilhotinados pela própria língua
Enlaçados pelos grilhões da estupidez febril

Ao vento lanço um grito de alerta
Minha alma contrita aos prantos se rebela
Quem é mais forte? A vida ou o remendo
Maldita és tu, cálice amargo, fel profano.


autoria: Sueli Nascentes Coelho
Sangrando

O amargo desencanto brota de minha alma,
Despedaçada sangra no ocaso da luta,
E os urubus do umbral, saciados de carniça,
Buscam, fartos, o negro céu de suas almas tristes.

Rasguem o véu que lhes esconde a face,
Mostrem-se, covardes filhos da escuridão,
Vampiros sedentos das almas puras,
Escondidos nas sombras da noite escura.

Quem lhes outorgou o título de juízes?
Preza-me saber da minha condenação!
Os crimes hediondos de que sou réu,
Ecoam no covil dos lobos em ação.

Ilusão de vida, pobres criaturas,
Envoltas no sombrio sono do amargor,
Pensam, estúpidos, que tirando-me a vida,
Sobreviverão, incólumes, ao amanhecer.


-autoria: Sueli Nascentes Coelho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Invisível...sem nexo...

Sinto saudades de cada manhã não vivida ao seu lado

Sinto saudades de cada beijo não dado nas horas do dia
Sinto saudades de cada momento não vivido, seja de dor e alegria, ao seu lado
Sinto saudades de cada sonho não realizado, de uma vida não construída por nós
Sinto saudades do entardecer que não vivemos juntos
Sinto saudades do abraço não dado à beira mar
Sinto saudades do envelhecer ao seu lado
Sinto saudades dos filmes na sessão da tarde que jamais assisti contigo
Sinto saudades dos domingos que não passamos juntos
Sinto saudades dos desencontros que precediam os encontros
Sinto saudades do carinho não dado, do carinho dado, do café na cama que trazia para mim, do começo, do fim, de uma vida que quis viver ao seu lado, das desilusões e ilusões que criei
E tenho medo de sentir saudades para sempre...
Por isso, quando as lágrimas caem dos meus olhos já cansados das expectativas e onde a esperança já não mora, meu peito lateja sabendo que o amanhã pode não ser e nada posso fazer para desfazer essa tristeza da desconstrução de um amor que jamais tive.


Autora: Sueli Coelho

Último canto

Mais que o amargo som da ingratidão profunda,

Soa no peito a despedida da esperança.
O cansaço da busca do imponderável,
No apagar da luz do candelabro.

Visto-me de negro para o funeral,
Enterro a última lágrima sacrificial.
Desdita sorte, já não há temor,
Apenas o vácuo existencial.

Não lamento a partida,
Não lamento a dor.
Torna-se doce o fel,
Torna-se doce a morte.


-autoria: Sueli Nascentes Coelho.