O canto da sereia
Ouviu-se longe, mar adentro
Como um lamento da mãe água
Pedindo abrigo ao coração humano
Pescador ouviu, jogou a rede
Súbito júbilo num rosto amargo
Antecipando o prazer do conquistador
Ante seu capturado
Perscrutando o coração do homem
Sereia, mãe água lamentou
De seu lamento verteu lágrimas
Enfurecido o mar ficou
A nau da captura enfraqueceu
Pescador em sua rede ficou
E o mar, raivoso algoz sem piedade
Desfez o júbilo em amarga dor
Água, mãe, sereia, canto
Que queres dos filhos da terra?
Segue seu curso, ondas, marés...
O humano coração, ainda não é.
Autoria: Sueli Nascentes Coelho
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